É hora de “desamericanizar” a ciência global, defende o investigador João Conde
Um artigo de opinião no periódico Nature World View, escrito por João Conde (investigador na NOVA Medical School e do CHRC), defende que o sistema científico internacional deve reduzir a dependência dos Estados Unidos e promover um modelo mais equitativo e resiliente para a ciência global.
Uma ordem de mudança
João Conde argumenta que o atual ecossistema científico mundial se assenta de forma desproporcional no financiamento, na governança e no poder normativo estadunidense. Esta concentração, alerta o autor, é um risco cada vez maior face a convulsões políticas, crises económicas ou mudanças estratégicas nos EUA. Em vez de diminuir o papel americano na ciência, a proposta visa equilibrar o sistema global e reforçar a sua sustentabilidade.
Propostas concretas
O autor lista quatro medidas centrais para essa transformação:
- Distribuir o financiamento de investigação de forma mais equitativa entre países.
- Partilhar a tomada de decisões e a supervisão ética a nível internacional.
- Criar infraestruturas de dados interoperáveis globalmente.
- Garantir apoio emergencial a investigadores em risco político ou institucional.
Por que este debate importa?
João Conde considera que o momento atual é ideal para repensar como a ciência é financiada, regulada e sustentada globalmente e não apenas para enfrentar desafios imediatos, mas para garantir a saúde a longo prazo do sistema de investigação internacional.
A nova edição da Nature, com o artigo de Conde, já está disponível para consulta: https://www.nature.com/articles/d41586-025-02215-4