Estudo sobre o aumento de mortes no domicílio na pandemia de COVID-19 foi publicado na revista eClinicalMedicine

Estudo sobre o aumento de mortes no domicílio na pandemia de COVID-19 foi publicado na revista eClinicalMedicine

O projecto financiado pela UE – EOLinPLACE – está a criar uma base sólida para a primeira ferramenta de classificação internacional que permite mapear locais de preferência e reais em direcção à morte, dando valor à importância da decisão das pessoas do local onde preferem viver os seus últimos dias. Este projeto é acolhido pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, liderado pela investigadora em cuidados paliativos, Bárbara Gomes, em conjunto com a investigadora sénior do CHRC e da ENSP-NOVA, Sílvia Lopes.

O objetivo deste projeto é contribuir para a melhoria da prestação de cuidados de saúde em fim de vida, visando transformar a forma como as pessoas são cuidadas no final da vida e onde acabam por morrer. O estudo incluiu dados sobre mais de 100 milhões de pessoas que morreram ao longo de uma década em 32 países, incluindo Portugal.

Durante a pandemia de COVID-19, foi realizado um novo estudo através deste projeto - “The rise of home death in the COVID-19 pandemic: a population-based study of death certificate data for adults from 32 countries, 2012-2021” – que foi publicado recentemente na revista científica de renome eClinicalMedicine, editada por The Lancet.

A pandemia da COVID-19 teve uma grande influência nos padrões de mortalidade, provavelmente “mexendo” também com as tendências dos locais de morte. Este estudo publicado mostra os resultados da tendência no “local de morte de adultos em 32 países, comparando os anos iniciais da pandemia de COVID-19 (2020–2021) com os oito anos anteriores à pandemia (2012–2019)”. Este estudo apresenta novos dados que podem contribuir para a definição de estratégias e políticas de saúde que melhorem a prestação de cuidados de saúde no final da vida.

“Os dados dos locais de óbito dos primeiros anos da pandemia (2020-21) foram comparados com os dados dos oito anos anteriores à pandemia (2012-19). No conjunto de países analisados, a percentagem de mortes no domicílio aumentou de 30,1% em 2012-13 para 30,9% em 2018-19; e até 32,2% na pandemia (2020-21). Contudo, em Portugal, e ao contrário da maioria dos outros países, a percentagem de mortes no domicílio diminuiu de 27,4% em 2012-13 para 24,9% em 2018-19; e até 23,2% durante a pandemia (2020-21).

Os dados revelam que Portugal tem vindo a sofrer uma diminuição significativa das mortes no domicílio, entrando num contraciclo comparativamente à maioria dos países analisados.

“Já éramos um dos países com tendência mais acentuada de mortes hospitalares nos anos anteriores à pandemia. O investimento que tem sido feito em cuidados paliativos domiciliários pode não ser suficiente para chegar de forma significativa a todos os que deles necessitam. Com o apoio limitado em casa, o recurso a hospitais e outras instituições de saúde torna-se quase inevitável”, explicaram Sílvia Lopes e Bárbara Gomes.

“É urgente refletir sobre a situação portuguesa neste contexto internacional, considerando a importância de promover escolhas reais relativamente ao local onde as pessoas com doença avançada preferem viver até ao fim” – acrescentaram os investigadores líderes do projeto. 

"EOLinPLACE - Choice of where we die: a classification reform to discern diversity in individual end of life pathways" foi financiado pelo European Research Council (ERC) no âmbito do Programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia.

Aceda ao estudo publicado em https://doi.org/10.1016/j.eclinm.2023.102399

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Autor

Andreia Santos

Investigadores

Sílvia Lopes