E se fosse possível acompanhar a evolução da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) no dia a dia, para além do hospital?
Foi esta a pergunta lançada pelo Professor Mamede de Carvalho, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que deu origem ao HomeSenseALS, um projeto iniciado em 2021, que combina smartphone, sensores e Inteligência Artificial para acompanhar pessoas com ELA no seu quotidiano.
O sistema foi desenvolvido pela Fraunhofer Portugal AICOS, em colaboração com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Entre os seus autores estão os investigadores do CHRC, Duarte Folgado, Francisco Nunes e André Carreiro. A aplicação permite e combina duas formas de recolha. Por um lado, recolhe passivamente dados de movimento e de comportamento ao longo do dia, sem exigir qualquer acção ao doente, salvaguardando também a sua privacidade. Por outro, permite que o próprio doente faça avaliações em casa, nomeadamente questionários funcionais, testes de análise de voz e discurso e testes de respiração.
O trabalho deu origem ao artigo “HomeSenseALS: A Mobile Sensing and Self-Monitoring System to Monitor Patients with ALS in Everyday Life”, publicado na revista científica ACM Transactions on Computing for Healthcare.
Neste momento o sistema está preparado para ser adaptado a outros protocolos de investigação e diferentes condições clínicas. A médio prazo, a equipa pretende levar esta tecnologia para o contexto dos ensaios clínicos, explorando o potencial dos dados recolhidos continuamente em casa, permitindo avaliar com mais sensibilidade o efeito de novos tratamentos.
Um passo importante na investigação em saúde digital e no desenvolvimento de novas formas de acompanhar a evolução da ELA.
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